Um encontro sobre BNCC Computação da rede estadual que ainda não esqueci... - parte 01
Quando recebi o convite pelo secretário de educação do município de São Lourenço da Mata-PE, para participar do II Encontro Formativo de Fortalecimento do Currículo de Pernambuco do Ensino Fundamental Anos Finais, que é promovido pela Secretaria Executiva de Desenvolvimento da Educação - SEDE e Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco, durante três dias (03, 04 e 05 de junho de 2025) no Hotel Canariu's Gravatá, fiquei entusiasmado por ser a referência no município sobre a temática.
Ao observar a pauta, programação, chamou a atenção devido a quantidade de oficinas a ser trabalhada, tendo em vista que a proposta, a discussão, diálogo, considerações estarão em torno da BNCC Computação. O que faz refletir: qual a ideia de haver várias oficinas sobre os demais componentes curriculares quando o foco é a Computação? Me chamou a atenção. No entanto, só descobriremos quando estivermos no evento.
No primeiro dia foram realizadas duas palestras: a primeira sobre a BNCC Computação, realizada pela Coordenação Geral de Inovação e Tecnologia do Ministério de Educação - MEC. A coordenadora apresentou um cenário histórico e atual, como foco na Educação Digital e Midiática nas Escolas, como realizar a implementação? Uma explicação pertinente quanto aos currículos e as leis da Política Nacional de Educação Digital - PNED que visa fomentar cidadãos críticos e reflexivos quanto ao uso, por meio de letramento digital e letramento midiático. Também apresentou estudos internacionais quanto aos processos de ter e não ter a disciplinas nas escolas segundo o PISA 2022, regulamentação das tecnologias com propósito de fins pedagógicos dentre eles o aparelho telefônico e uso de inteligência artificial nas escolas, a qual os altos picos de ansiedade, depressão e demais dependências em crianças e adolescentes. O currículo vem como um guarda chuva que apresenta os eixos: pensamento computacional, mundo digital e cultura digital; a qual a cultura digital já vem nas competências gerais da BNCC. E nisso finaliza com a divulgação do AVAMEC, com mais de 50 cursos na área de tecnologias, além do material, um guia de educação digital e midiática. E vem os principais questionamentos: qual o desafio de cada rede? Quais as realidades dos estados e municípios? Qual relevância nosso trabalho tem?
Não houve perguntas pois a palestrante estava de maneira remota e o horário dela já havia extrapolado por ter começado tarde, o início do evento.
Quero destacar que a fala da professora é pertinente quanto a temática, diante de um cenário nacional, quais ações o MEC vem desenvolvendo. No entanto, não foi falado, se sim, muito rápido sobre o Curso de Especialização em Educação Digital e Inovação Pedagógica na Educação Básica promovido pela instituição para subsidiar os municípios e estados na formação de professores quanto a implantação do componente curricular. Outra desvantagem que ocorreu foi o material na tela, letras muito pequenas, nada chamativo, uma apresentação textual que tornou-se horrível para quem gosta de ler e acompanhar a pontos em destaque, a qual não houve.
Entre uma palestra e outra, a equipe da SEDE informou que houve uma escuta pública, a qual foi divulgado nos meios de comunicação oficial: site: https://portal.educacao.pe.gov.br/see-abre-consulta-publica-para-implementacao-da-bncc-computacao/?fbclid=PAQ0xDSwKZ_Z1leHRuA2FlbQIxMAABp1upQqmMlOlAmKNnRm9xNOpTAHPgwHslCO17dLtSRnjrTJmnVYPy77g_yj4q_aem_GOt-x8PyBNWCN1V2az3S7QA e instagram: https://www.instagram.com/p/DJ44tU5S0Q8/ durante 15 dias. Bem, eu não sei se foi esse tempo todo, mas pela data de publicação e a data de fechamento dessa escuta pública foram apenas 5 dias. Muito pouco tempo para fazer uma escuta pública de qualidade. Compreendo o prazo do tempo, as demandas, entre outras situações. Mas acredito que esse caminho de escuta pública de apenas 5 dias não funciona. À vista desse cenário, compreende que o professor tenha muito tempo livre, quando na verdade já vive sobrecarregado por diversas atividades nas redes de ensino que o mesmo leciona. Outra situação pertinente é a fala dos professores da Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, nos comentários do instagram, a qual apresenta que os mesmos não foram ouvidos. O estado de Pernambuco tem duas universidades que ofertam o curso de licenciatura em Computação, por que não ouvir as sugestões, orientações quanto ao currículo, tendo em vista que o movimento de implantação na educação básica começou pelos profissionais das universidades e sociedade civil?
A segunda palestra foi realizada pela professora convidada que explanou a temática: Descomplicando a BNCC Computação. A primeira impressão que a docente iria apresentar possíveis caminhos para uma leitura facilitadora do currículo, no entanto focou que podemos iniciar mediante a cultura digital que é um dos eixos, realizar uma implementação gradativa, promoção de formação continuada dos professores, além do papel social da escola diante do nível de conhecimento dos estudantes.
Observei que a palestra foi muito rápida para um conteúdo muito extenso, no lugar de colaborar numa adesão segura, fez com que o profissional ficasse com mais receio do novo que está a chegar. Porém, esse novo chegou e precisamos acolher, porém como? Pois precisamos refletir: há professores resistentes ou professores que desconhecem o novo? Um caminho que a professora apresentou é o trabalho de computação desplugada a partir do 6º ano dos Anos Finais. No entanto, como vou trabalhar a abordagem da computação desplugada sem apresentar um conteúdo da área?
As palestras para quem está chegando agora ao cenário do novo componente curricular colabora no processo de conhecer a BNCC Computação, mas não fortalece o processo que precisa ser adotado para uma boa prática pedagógica de adesão e sensibilização com os docentes.
Muitas foram as expectativas trazidas, porém o primeiro dia não contemplou o que se esperava, penso que as oficinas sejam mais consolidadas, mas pelo trabalho de anos da oficineira não será bem o currículo que será trabalhado no evento.
No segundo dia de encontro, fui para a sala da oficina com a esperança de ter algo relacionado ao currículo, como fazer um currículo, o que abordar inicialmente. Todavia, a oficineira foi a mesma que proferiu a palestra no dia anterior, a qual o seu perfil profissional vem da cultura maker e robótica. Desta maneira, não atende a situação burocrática de estruturação de currículo, grade curricular, ementa que as redes municipais e unidades escolares precisam atender para chegar na prática da sala de aula. Penso que por sempre trabalhar com formação de professores, a foco foi esse, pois a professora apresentou como pode ser trabalhado o eixo de pensamento computacional por meio de um passo a passo de montar um sanduíche. A atividade pode ser essa, mas qual habilidade do currículo tem que ser trabalhada nas etapas dos anos finais? Em seguida focou na atividade, joguinho de lógica de programação, um joguinho de tabuleiro que pode ser construído e trabalha em equipes. Logo após o coffee break fez uma atividade prática com o uso do eixo cultura digital, pedindo para que identificassem o que é fato, opinião, sensacionalismo e fake news; bem superficial. Depois trabalhou o conteúdo de Números (código) binários, por meio do cenário da computação desplugada. O eixo mundo digital ficou na construção do copobô: o robô desenhista. Cada equipe fez a construção dele, montagem, o mão na massa. Falou um pouco de estimular os estudantes a trazer equipamentos que não são mais utilizados para trabalhar a obsolescência programada. Após o almoço apresentou a plataforma pictoblox https://pictoblox.ai/, a qual alega ser uma plataforma que tem tudo para se trabalhar, por isso não usa o scratch https://scratch.mit.edu/. A proposta foi montar uma programação nos blocos e depois ligar o led com o uso do arduino. Cada equipe ficou com um kit. Cada equipe avançando nas etapas de ligar um led, foi propondo uma programação que ligasse 2, 3 para fazer o semáforo. No decorrer do encontro pedi para a professora apresentar a ligação das atividades com as habilidades da BNCC Computação, a mesma alegou que fez uma explicação rápida por um colega que pediu antes, e prometeu fazer novamente no final, para consolidar; pensei que não daria tempo e de fato não houve e findou a oficina sem saber pela oficineira quais os links, quais as habilidades, como identificar no currículo o que podemos trabalhar com os professores para chegar no aluno.
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